Boteco do Esporte

06.05.2016 - Esporte / Qualidade de Vida, Happy Hour, Negócios e Esporte

Campinas tem potencial histórico para ser protagonista no voleibol masculino

Final da temporada 2015/2016 e o Vôlei Brasil Kirin levou a cidade de Campinas para os holofotes da elite do voleibol nacional. A derrota na final da Superliga Masculina diante do Sada Cruzeiro – atual tetracampeão do torneio – por 3 sets a 1 foi um mero detalhe. Mesmo com a medalha de prata, os campineiros fecharam a temporada com chave de ouro.

A atual campanha ainda resultou na convocação de quatro atletas para a Seleção Brasileira, do técnico Bernardinho: o central Maurício Souza; o ponteiro Lucas Loh; o líbero Tiago Brendle; e o oposto Wallace Martins, a boa surpresa da lista.

O que muita gente talvez não saiba é que Campinas já subiu no ponto mais alto do pódio da Superliga.

VÔLEI - MAURÍCIO LIMA - ESPORTES - ACERVO - Maurício Lima, jogador do Olympikus/Telesp, comemora a conquista da Superliga Nacional Masculina 1995/1996, após a partida final contra o Report/Suzano - Ginásio Taquaral - Campinas - SP - Brasil - 26/03/1996 - Foto: Acervo/Gazeta Press

Maurício Lima comemora a conquista da Superliga Nacional Masculina 1995/1996 – Ginásio Taquaral – Campinas – SP – Brasil – 26/03/1996 – Foto: Acervo/Gazeta Press

26 de março de 1996. No Ginásio do Taquaral, o Olimpikus/Telesp venceu o Papel Report/Suzano por 3 jogos a 1 na série melhor de 5 e conquistou o título de campeão da Superliga Masculina de Vôlei 95/96. Liderado pelo levantador Maurício, o time da casa ainda contava com os opostos Marcelo Negrão e Carlão, todos com passagens marcantes pela Seleção Brasileira.

Após 20 anos, Maurício é a única figura remanescente no voleibol campineiro atual. Se em 96 ele conquistou a vitória dentro de quadra, desde 2010, quando o projeto foi instalado no município, o ex-atleta comanda a equipe campineira nos bastidores, ocupando o cargo de embaixador do clube. Ao lado dele, outro campeão olímpico que também faz parte do projeto é o ex-central André Heller, atualmente coordenador técnico do Vôlei Brasil Kirin.

A figura dos dois ídolos nacionais no esporte fortaleceu a imagem do vôlei de Campinas e atraiu investidores. Em seis anos, a iniciativa contou com o investimento da farmacêutica Medley nos três primeiros, mas foi com o patrocínio da Brasil Kirin, empresa de bebidas, que o projeto deslanchou. A conquista do título inédito da Copa São Paulo em 2014 contra o favorito Sesi-SP em jogo eletrizante de 3 a 2 disputado em Santos, litoral paulista, foi só o aperitivo do que ainda estava por vir.

A equipe comandada pelo técnico Alexandre Stanzioni chegou a liderar de ponta a ponta – e de forma invicta – a fase classificatória do Campeonato Paulista daquele ano, mas acabou ficando em terceiro lugar. Os gestores do Vôlei Brasil Kirin também conseguiram trazer para Campinas duas decisões consecutivas de Copa Brasil para o Ginásio do Taquaral – nas duas finais, o time anfitrião ficou com a medalha de prata.

Além dos resultados obtidos em quadra, outro aspecto que assegurou o projeto são os investimentos em ações sociais em Campinas. A troca de ingressos por um quilo de alimento não perecível já reverteu média de 60 toneladas para o Banco de Alimentos da cidade. O trabalho em prol da sustentabilidade também merece destaque, uma vez que incluiu o plantio de árvores na região do Taquaral e estimulou os torcedores a fazerem a coleta seletiva de garrafas pet da marca em troca de brindes. Para finalizar, em parceria da empresa de bebidas, o Instituto Compartilhar, do técnico Bernardinho, realiza trabalhos de inclusão de crianças carentes por meio da prática do voleibol e têm ações em andamento em Campinas, contando com a participação da equipe principal.

A parceria de sucesso estabelecida entre município, patrocinador e gestores do clube tem tudo para transformar Campinas em uma das potências do voleibol nacional. No entanto, o momento é de dúvida para o torcedor campineiro.

Ao final da temporada, o técnico Alexandre Stanzioni foi demitido. Nas redes sociais, o treinador não poupou críticas à decisão da diretoria do clube, que ainda não se manifestou de forma oficial sobre a saída do seu comandante, e sequer anunciou a nova contratação para o comando da equipe na temporada 2016/2017. Aliás, cabe ressaltar que, segundo o contrato da patrocinadora com o time, este é o último ano da parceria – ao menos, até agora, nada foi anunciado sobre uma possível renovação.

Dos atletas convocados por Bernardinho pela campanha feita no Vôlei Brasil Kirin, Lucas Loh já não faz mais parte do grupo campineiro e assinou com o Taubaté/FUNVIC. Maurício Souza é outro que teria despertado interesse de um clube europeu, mas a sondagem não foi confirmada nem pelo atleta, nem pelo clube.

Um time vencedor não se constrói apenas dentro de quadra – é preciso envolvimento social e ações estratégicas que funcionem. Ao que tudo indica, o projeto estava no caminho certo. Fica a nossa torcida para que os investidores acreditem no potencial histórico da cidade de Campinas para continuar apostando no voleibol. O esporte agradece.

 

Letícia Oliver

 

 

Letícia é jornalista formada na PUC-Campinas com extensão em Jornalismo Esportivo na Internet pela Universidade Candido Mendes (UCAM-RJ). Trabalhou em agências de marketing esportivo, assessoria de imprensa do Vôlei Brasil Kirin na temporada 2014/2015 e EPTV, afiliada da Rede Globo na região de Campinas. Autora do livro-reportagem “Arquibancada – Território de Espetáculo e Consumo”, indicado ao 8º Prêmio Bosch/PUC-Campinas de Comunicação, na categoria Jornalismo e leitora do Boteco do Esporte e nos enviou seu texto.

 

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